A CONSTRUÇÃO DE UMA CARTILHA EDUCATIVA PARA ACOMPANHANTES DE CRIANÇAS HOSPITALIZADAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Sabrina de Jesus Oliveira Neves, Karine Gabriele De Jesus Lima, Pâmera Janaína Ataíde Durães, Patrícia Fernandes do Prado, Ana Augusta Maciel de Souza, Mirela Lopes de Figueiredo, Simone Guimarães Teixeira Souto

Resumo


A hospitalização infantil é enxergada como uma vivência negativa ao qual remete um ambiente frio e ameaçador devido sua interrupção do cotidiano. As crianças hospitalizadas são submetidas a procedimentos geradores de dor o que impossibilita sua compreensão de seu estado de saúde (TOREZAN, 2016).

A assistência ao cuidado a essa clientela é minimamente respeitosa e digna uma vez que, quando uma criança interna, o familiar também é internado justificando-se a participação dos mesmos no tratamento da dor desprovida da patologia, pois eles sabem as características exatas dos sentimentos de seus filhos (NASCIMENTO et al.,2016).

Para amenizar os fatores estressantes e traumáticos decorrentes da hospitalização, a inserção de um acompanhante implica na compreensão da dinâmica das relações interpessoais entre os agentes envolvidos do cuidar, pois são mediadores da relação terapêutica e fonte principal de segurança e


carinho no qual o paciente pediátrico busca a força e segurança necessária para enfrentar situações de conflito gerados em função da doença e da hospitalização (SOSSEL; SAGER, 2017).

É importante a criação de estratégias para que se possa promover o bem-estar e atender as dimensões físicas, psíquicas, culturais, espirituais, sociais e intelectuais da criança e sua família, possibilitando a humanização e a valorização do sujeito inserido no contexto hospitalar.

Foi pensando nos problemas e desafios inerentes à hospitalização pediátrica que um grupo de discentes e docentes do curso de Graduação de Enfermagem da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), em parceria com o projeto de extensão “Pró-Brincar: programa de atenção integral á criança hospitalizada”, criou um material educativo para acompanhantes de crianças hospitalizadas, com o propósito de mostrar a importância do lúdico para o desenvolvimento saudável da criança e os benefícios da promoção do brincar para a recuperação do infante hospitalizado.

O projeto teve o propósito de introduzir um programa voltado para a prática do brincar na rotina das instituições hospitalares pediátricas assegurando o respeito aos preceitos do cuidado atraumático e da Política Nacional de Humanização, buscando a integração do ensino-serviço na perspectiva de desenvolver ações de ensino, pesquisa e extensão.

Esse estudo teve como objetivo relatar a experiência de um grupo de docentes e discentes sobre a construção de uma cartilha educativa destinada aos acompanhantes de crianças hospitalizadas.

 

METODOLOGIA

 

Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência de um grupo de discentes e docentes ocorrido no período de abril a maio de 2017 durante as aulas ministradas da disciplina de Atenção Integral a Saúde da Criança aos acadêmicos do 5º período do Curso de Graduação em Enfermagem da UNIMONTES em parceria com as atividades do projeto de extensão “Pró-Brincar: programa de atenção integral á criança hospitalizada”.

Para a produção do conhecimento e do aprimoramento dos discentes, foi proposto o desenvolvimento de um material educativo em formato de cartilha sobre a importância do lúdico para o desenvolvimento saudável da criança, destinado aos acompanhantes de crianças hospitalizadas nas unidades pediátricas de Montes Claros, Minas Gerais.

As informações contidas no material foram elaboradas observando as seguintes premissas: linguagem simples e adequação ao nível intelectual do público-alvo, objetivando promover a identificação dos acompanhantes com o texto e incentivá-los a realizar atividades lúdicas com as crianças internadas.

 

RESULTADOS

 

Foi produzida uma cartilha educativa e ilustrativa intitulada “Brincando no Hospital”. Para a escolha de algumas ilustrações contidas no material, foram selecionados desenhos realizados por crianças que se encontravam hospitalizadas em uma unidade de internação, no período de desenvolvimento da cartilha, com devida autorização de seus responsáveis legais.

O conteúdo do material foi estruturado em quatro seções, a saber: direitos da criança hospitalizada; a importância do brinquedo para a recuperação da saúde da criança; vivência e desafios experimentais pela criança hospitalizada e o brincar no hospital. 

Na primeira seção, foram apresentados os direitos da criança e do adolescente hospitalizados, conforme publicação em 17 de outubro de 1995 pelo Ministério da Justiça e o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.  Ressalta-se que apesar dos tantos anos de vigência, esses direitos ainda são desconhecidos por grande parcela da sociedade, instituições e profissionais de saúde. O desconhecimento e/ou a não incorporação de tais direitos à prática hospitalar tem levado crianças, adolescentes e suas famílias a situações de sofrimento desnecessárias. Assim, considerando que violação de direitos representa uma forma de violência, acreditamos na importância da divulgação desses direitos, oferecendo dignidade e respeito às crianças e aos adolescentes hospitalizados, visando amenizar o sofrimento no momento da sua internação.

Na segunda seção do material foi abordada a importância do brinquedo para a recuperação da saúde da criança. A brincadeira como uma atividade tipicamente infantil, ganha status no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que segundo o Artigo 16, item IV “brincar, praticar esportes e divertir-se” faz parte de suas necessidades básicas (BRASIL, 1990). Assim como a Declaração Universal dos Direitos Humanos que ressalta “Toda criança tem o direito de brincar” (ONU). Portanto, se este direito não for respeitado poderá ocasionar mudanças no comportamento da criança como alterações no sono, irritabilidade, agressividade, falta de adequação social e não correspondência à terapêutica.

A terceira seção traz uma descrição acerca das vivências novas e muitas vezes angustiantes experimentadas pela criança, uma vez que a hospitalização causa ruptura do seu meio social afetando em suas atividades diárias e costumes próprios da infância, vivenciando situações com as quais devem se adaptar. A criança depara-se com um ambiente repleto de restrições e rotinas, pessoas desconhecidas, se submetem a procedimentos dolorosos que trazem desconforto físico pela intensa manipulação. O receio dos procedimentos, exames e o afastamento de sua família podem trazer traumas psicológicos à criança.

Na última seção da cartilha destaca-se que no momento da hospitalização, a criança utiliza a brincadeira como forma de amenizar o estresse durante o tratamento. O brincar proporciona alegria, diminuição do medo e saudade do ambiente familiar, transformando a criança num ser meigo, trazendo segurança para as mesmas e ajudando nos cuidados de enfermagem o que engloba um bom funcionamento da equipe profissional no ambiente hospitalar. Aponta-se que nas suas horas do brincar, a criança cria relações amorosas e prazerosas com o aprender, ou seja, explora, descobre e testa. Além disso, o envolvimento em atividades lúdicas correlaciona com afetividade para encarar situações complexas e ameaçadoras, ajudando a encontrar suas dificuldades, bem como levantar possíveis diagnósticos para então facilitar no momento do tratamento, uma vez que as crianças conseguem apresentar uma predisposição a aceitar procedimentos a serem realizados.

A cartilha desenvolvida foi reproduzida com o apoio da Coordenadoria de Extensão Comunitária da Universidade Estadual de Montes Claros e distribuída aos acompanhantes nas unidades de internação pediátrica dos hospitais de Montes Claros, Minas Gerais. O desafio aceito aos discentes de enfermagem para a produção do material educativo se constituiu em aprendizado, a qual possibilitou a compreensão dos estudantes sobre a importância de vivências lúdicas para a criança em situação de adoecimento, a fim de favorecer o seu desenvolvimento, proporcionado momentos agradáveis mesmo que o contexto seja adverso.

 


Referências


BRASIL. Decreto n. 5089, de 21 de maio de 2004: regulamenta a Lei nº 8.069, sancionada em 13 de julho de 1990, a qual dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília (DF): Casa Civil, 2004.

LUZ, FR. Brinquedo terapêutico: cuidado humanizado na assistência do enfermeiro pediátrico. Escola da enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Por Alegre, 2010.

NASCIMENTO, PA; KEITY, SF; GODOI, GJR ; GILABERTE, B; HEY, AP. Relato de experiência: o primeiro contato de acadêmicos de enfermagem com a prática pediátrica. ANAIS DO XI EVINCI — Centro Universitário Autônomo do Brasil — UniBrasil, 2016.

TOREZAN, G. Cartilha educativa ilustrada: orientações para acompanhantes de crianças submetidas a intervenções cirúrgicas. Universidade do Vale do Rio dos Sinos-UNISINOS. Porto Alegre, 2016.

SOSSELA, CR; SAGER, F. A criança e o brinquedo no contexto hospitalar. Rev. SBPH vol.20 nº.1, Rio de Janeiro – Jan./Jun. – 2017.

VIVIAN, AG; ROCHA, CC; AGRA, KP; KRUMMENAUER, C; BENVENUTTI, DK; TIMM, JS; SOUZA, FP. Conversando com os pais: relato de experiência de intervenção em grupo em UTI pediátrica. Aletheia 40, p.174-184, jan./abr. 2013.


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